23.3.23

Ephémera

Olha as coisas efémeras que acabaram de acontecer. Esqueço-as. Tudo é irrelevante. Quem foi que esteve aqui e falou comigo ainda agora? Onde foi que fui e voltei de qualquer parte e ainda não cheguei?

Interessa-me viver no nevoeiro, de olhos miopes e doridos, buscando de dia um homem honesto com a lanterna de Diógenes.

Quero antes a imprecisão do passado com as suas laterais em fuga, os seus plátanos com recados nas folhas, o despertar de uma novidade na dobra do guardanapo, quero esse tempo leve, nas manhãs de secretos afagos.

Busco essas manhãs cobertas de limos, a riqueza orgânica da vida, o brilho acetinado nos olhos felinos de um homem apaixonado.

Dobro a efémera calma dos meus dias, como um xaile que se prepara para me sufocar, e deixo-me um recado: podes esquecer o minuto que passou, mas dá lustro ao teu melhor passado.

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