25.7.23

Guardanapo

Dobrei a poesia como um guardanapo antigo com nódoas fatais de lábios e vinhos diletos, aquela poesia que se serve a frio com gelo e fogo nos dedos.

O que acontece se servir à mesa o mesmo guardanapo, sem que nada se lhe tenha acrescentado de bom?

A poesia tem destes rasgões no peito, sendo insizível a metáfora do cansaço. O que se sentou à minha mesa.

Mas pus-me a pensar que gosto de vinho e de manchar guardanapos com baton. Por isso, arranjas-me um guardanapo novo, uma razão nova, um dia soalheiro, uma noite em que o sono esteja ancorado, como um anjo à tua porta?

Talvez se eu limpar docemente a tua fronte, a tua ferida, com o melhor linho do sudário original, possamos tu sorrir e eu voltar a desdobrar a vida.



Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixa aqui um lírio

Recentemente...

Dia dos (Des)namorados

Não sei que diga nestes dias especiais. Não há dias felizes com marcação prévia como no cabeleireiro. Que sejam felizes os apaixonados. Os q...

Mensagens populares neste blogue