28.8.24

Retenção


Pois foste, foste sempre assim:

Frágil, frugral e feiticeira

Sempre nos outros o que (só) achas em ti

O que só se abre em ti

Deste alento e energia, deste a alma, deste o corpo

Deste o teu sangue e sangraste até ao fim

Passou o tempo e voltou a passar

E tu deste, deste, continuas a dar essa pálida energia (que agora reténs)

Esvaziaste o peito, palavra a palavra, até o silêncio apenas te servir

Agora queres apenas salvar, reter alguma coisa, poupar a febre, o fogo, a fala

Algo teu que encha o silêncio, a frugalidade ímpar de estares simples e só, sem chegar nem partir

Porque a peregrinação começou fora e acabou dentro e a solidão é um pátio limpo com magnólias a florir

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