16.11.10
stilness of heart
era preciso que a pedra
estivesse quente
do sangue do scrifício
e as aves piassem ainda no céu
os gorjeios dos seus voos primeiros
era muito precisa a loira abundância do trigo
e tranças libertas ao vento
para que nos não doesse a vida
na abundância do momento
depois, tínhamos de reinventar conceitos
quem disse que era impossível
cruzar o espaço com o tempo
e construir a essência do encontro?
acima de tudo, seria preciso querer
e para tanto seria preciso ser
juntar num cálice o corpo, a alma e a mente
e decantar tudo, seria oportuno
mas provavelmente infecundo
o corpo jamais ganhava à mente
e a alma sozinha ficava à tona da realidade
com o sonho nas mãos
como se o sonhado nunca pudesse ser diferente
era preciso também voltar a definir
novas fases na lua e novas sombras no olhar
com uma nova peleta seria criada a cor única
que o amor teria doravante. branca e pura
como açucenas trémulas, brandas inseguras
seria preciso que os deuses apagassem a noite
e ornassem a Lua de cetim,
então serias real, porque invisível
e a tua respiração seria um sinal
da tua imaterialidade infinita
para que existisses era preciso
apagar também as estrelas uma a uma
com o calcanhar, como um cigarro,
e uma pequena candeia viria então na escuridão
de modo incerto
falar-me de ti, mostrar os ramos das tuas veias
e enfim, só comigo e com o meu engano,
a chama choraria vertendo em cera
as lágrimas que são minhas e não tenho
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