pesam-me os pés de caminhar nos dias
queria trocar de sapatos e elevar-me com eles
na terra onde tudo costuma acontecer
até eu ser feliz ao teu lado
e as amendoeiras darem flor o ano inteiro
até eu usar um vestido azul e pintar quadros
cor de violeta
e tu escreveres romances de amor com rosas
entre as linhas e iluminuras de anacoreta
até eu ler as notícias do jornal com um sorriso
como se a vida resplandecesse à nossa volta
suaves e rumorosas madrugadas de cetim
nas esquina em céu aberto, ou nos pardieiros
nos bairros da classe média e nos guetos dos ricos
até eu ter a lisura dos anos frescos e o pó de arroz das estrelas
com salpicos de margaridas do campo e papoilas de Abril
até tu e eu nos estendermos ao sol, num prado azul
coberto de lantejoulas caídas do luar
e todo o universo nas nossas mãos
equilibrado e feliz
à beira de sonhar
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Quase a chegar
Estavas quase a chegar, meu amor, estiveste sempre a vir, vinhas logo, virias certamente muito prestes, mas não vieste Sempre fui eu a ir, a...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Quando meto a marcha à ré, nunca sei se devo olhar para trás se para a frente. A medição das distâncias, muitas vezes, não depende dos olhos...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio