a chuva quebrou
o vento vela devagar
a luz bruxeleante do sono
as árvores silenciam
de ombros reclinados
sobre o tempo urbano
só nós ainda ficamos
com o tempo a pulsar nas mãos
o tempo que já fomos - ou não
sem sabermos o que fazer
ao espaço
nem como enchê-lo de palavras
até ficar enfim plano
desembrulhamo-nos
devagarinho: que brilho
é o teu, que palavras
de linho - que me ilumina?
é o sossego dos teus olhos
de beleza infanta
é a claridade das palavras
sobre as trevas quando cantas
o lume que as coisas acendem
próximas e íntimas
quando a noite cede
e a emoção se inclina
uma história assim no olhar.
chuva suave, chuva que rima
e a tempestade
rio andante,
plana por cima
Mas olha! Tanto barca
para contar o que
que tanto me
fascina
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Escuridão
A escuridão do dia enegrece o sangue, sabendo nós que a escuridão é o lugar último do ser. De que precisamos, depois de não termos mais nad...
Mensagens populares neste blogue
-
A noite é linho e luz até chegar a madrugada. Apenas estás lá. Não sabes nada. No leito flutuam flores de seda álgidas. Por onde anda a tua ...
-
Na vida, o único sentido é o amor, o mais fértil dos sentidos é mesmo o amor, desculpa, passei toda a minha vida a dizer-te que só amando mo...
-
No meu estendal pesam as dores, pesam os mistérios e algumas roupas velhas molham as flores, Pesos que agora me pesam mais do que já pesaram...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio