23.3.11

a chuva quebrou
o vento vela devagar
a luz bruxeleante do sono

as árvores silenciam
de ombros reclinados
sobre o tempo urbano


só nós ainda ficamos
com o tempo a pulsar nas mãos
o tempo que já fomos - ou não


sem sabermos o que fazer
ao espaço
nem como enchê-lo de palavras
até ficar enfim plano

desembrulhamo-nos
devagarinho: que brilho
é o teu, que palavras
de  linho - que me ilumina?

é o sossego dos teus olhos
de beleza infanta

é a claridade das palavras
sobre as trevas quando cantas

o lume que as coisas acendem
próximas e íntimas
quando a noite cede
e a emoção se inclina

uma história assim no olhar.
chuva suave, chuva que rima

e a tempestade
rio andante,
plana por cima

Mas olha! Tanto barca
para contar o que
que tanto me
fascina

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