20.3.11

hoje estou assim, assim

este Domingo dói-me em algum lugar, sem bem saber porquê
estou enclausurada na hipótese de ser Domingo, na essência
oculta do Domingo, o dia que é para ser mais dia

quero libertar-me da ideia de ser Domingo,
para passar a viver o Domingo, com toda a sua preguiça,
as horas de sesta roubadas a um filme,
ou a um livro, o sol a aquecer o corpo num passeio
pela serra, ou pelo areal, porque é Domingo

mas o trabalho já me amarrou à ideia de não ser Domingo
e apenas um dia qualquer da semana

ao mesmo tempo que a espera me amarrou à ideia
de que este vai ser enfim um dia de Domingo
com todas as suas promessas de partilha
e de encontro entre as palavras, um mano a mano
em que eu digo, tu respondes e me falas


e no entanto o sol...
e no entanto o sol cuidadosamente arrumado
numa gaveta da sala à espera da mudança
e o ferro de engomar pronto
para lançar vapor por esses mares de (in)temperança

e eu vou com ele, debelando a pilha de roupa
e engomando sonhos de fadiga
porque sim, porque amanhã é Segunda
e é preciso alisar a vida

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