29.3.11

pendurei a noite num mastro de luar
alto no imenso mundo das estrelas
anda o sonho que não páro de sonhar

já não distingo as noites pelo burel da chuva
outras houve em que vimos juntos algumas coisas

tacteio o céu da imensa massa nebulosa
onde entroncou o teu mistério
de repente descubro que já não és
tu

o mistério já sou eu e esta anuência
em repetir os dias como dantes

em vislumbrar para além das teias
um sol levantado e um passeio amplo

onde ancora toda a minha ilusão
barco sem remos nas tuas mãos

houve um vendaval sim e nós éramos
ainda inocentes
pois nem nos demos conta
de que o remoinho já nos cravara bem no centro

tenho medo e tenho o meu tempo todo
invertebrado à volta deste momento

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