sabes? gostava de ouvir-te agora, aí, do teu lado da rua, sem o oceano a atravessar a avenida, a dizeres-me como lês a chuva e os relâmpagos que nos atravessam a noite, ocasionais e desgarrados, como os nossos encontros. gostava de saber que te escrevem no peito quando soam, os nossos encontros. meu amor, gostava de estender a mão, agora, no momento em que o digo e tocar delicadamente o teu peito com a suavidade de um pingo de chuva, antes de a noite te embalar os pensamentos em sonhos de cetim. recebe esta carta no débito da última recebida e responde pela volta dos ponteiros, um minuto mais tarde, um minutos mais cedo, agora o relâmpago, depois o som, vezes 360 Km por segundo, qual é a distância a que a trovoada se encontra do nosso mundo nós, conta-me o que os teus olhos alcançam, quando abarcas a noite como se abraçasses um corpo de mulher. depois podemos, talvez, adormecer, estremecendo sempre que a luz nos ilumina, calados e intensos num círculo de ternura e de prazer.
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