4.4.11

a vertiginosa corrente de viver


e depois eu fiquei parada na escuridão do quarto a pressentir os minutos que me recusavam o sono. tu vens tão tarde, na minha vida como na noite, visitas-me a desoras,  quando nada se ouve e nem eu já me ouço a respirar. e depois as estrelas começam a brilhar por dentro sem que as consiga reunir num círculo de palavras, embora me cruzem ideias vertiginosas que não tenho tempo de apanhar. serão talvez estrelas cadentes. e depois não sei já orientar-me no escuro, a não ser a caminho de um esquecimento que acaba por vir. sonho muito. mas não saberia dizer como me realiza a noite, na contabilidade dos meus sonhos. leio-te na alva breve do despertar. já é dia e tudo volta a ser quotidiano novamente. visto-me de Primavera porque é urgente reunir cores sob o sol e vestir a novidade. estás aí e eu não parti. nunca deixei de estar. mas nunca estamos no tempo íntimo do mesmo ponteiro. gostava de dialogar contigo. olá, estás aí, estou, eu também, que estás a fazer, vamos fumar um cigarro com o sabor raro das estrelas. talvez elas nos contem, assim de repente, sem nos darmos conta, o segredo das nossas existências encalhadas. na vertiginosa corrente de viver.


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