Às vezes não te percebo, quando vejo sombras e luzes na tua escrita que não foram lá postas por mim. a escrita é como as rugas que o papel nos risca na alma. é tudo que tenho de ti, a visão das letras e dos cortejos de palavras, caracteres escolhidas pela emoção do momento, o tom oratório explícito ou pontuado pelo mistério e tudo, tudo é tão deliciosamente bom que me fica sempre o apetite por mais desse desafio que me fazes, do entendimento e da abstracção, quando o que te cruza o rosto também cruza a escrita e os olhos se destacam na mancha gráfica. é assim e quando o texto é filtro da emoção: a insinuação apurada e o leve toque na pele, nos lábios e no coração; a dúvida e a certeza que temperam o desconhecido; a sombria luz dos teus olhos escuros (lindos, lindos) e no centro do texto a equívoca virtualidade de tudo. mas já foram mais apertadas as tuas malhas. Jesus, se um dia te abrires sem rede o que será a tua impulsividade, de que tamanho será o ponto de exclamação dos meus olhos, na (louca) hipérbole dos teus...
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