cheguei a casa com o mundo tão pesado, de joelhos a flectirem a dor de andar e o repto perdido de árvores verdejantes e cisnes ao luar. cheguei a casa com o coração a ferver e a cabeça opaca. não consigo suportar o peso de tanto imperativo. quase tudo me é indiferente para além da necessidade de dormir. sucumbi num torpor sem nome e sem rosto. chamar-lhe-iam dor, se soubessem. eu sei que é o chão a ruir por dentro de mim. inútil, tudo é inútil e dói tanto. acordei e tacteei na cama o lugar que não está preenchido, o abraço que se escapou da minha vida e me enredou em palavras toda a esperança de ser feliz. mas vieste enquanto eu dormia alisar-me o chão. por isso devo ter estado num lugar arborizado e respirei por dentro o impacto do sol. por isso despertei oxigenada por dentro. por isso aplano a meus pés a madrugada, enquanto chove de mansinho ao pé de mim qualquer coisa que não sei nomear, mas parece calma e limpa. sossegada.
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