2.6.11

pôr-de-sol


apaziguo os sentidos à medida que entro nas águas silenciosas. parece noite, mas é apenas um pôr-do-sol mais demorado, tantas cores suaves, tantos vestidos de luz que o dia veste em vésperas da noite. poderá ser este o pôr-do-sol da minha vida e eu assisto a ele da plateia, na coxia mais próxima, vendo-me vulnerável a contemplar um dia que se lembrou de ficar por mais tempo na janela. sei que entre o que fui e o que sou vai a distância pautada de segundos, minutos, horas que passei a sonhar com o mesmo sonho, esperado-o, acarinhando a sua face de improvável realidade de todos os ângulos, certa de que um dia iria acontecer. fosse o que fosse havia de mostrar a sua face perfeita. o meu sonho de ser é como este pôr-do-sol demorado. podia ter terminado mais cedo, com menos cambiantes de cor, menos anil e neve em redor, mas vai terminando poderosamente rodeado de luz, laranjais e espigas louras, laivos de mar e de memórias. e é neste mérito de luz que gosto verdadeiramente de me espraiar. já não sonho. lembro-me que sonhei e reconheço que isso foi o quanto vivi.

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