ouves hoje o vento nos vidros que não são duplos, nem foscos e deixam passar os sons e o movimento ascendente da vida? já viste o Sol a espraiar-se para os lados do rio e a sua áurea leve e resumida, o fulvo rasto de luz que deixa na ferida da cidade? já viste as árvores banidas dos campos a trautear em silêncio a aragem da vida? ouve tudo isso. a vida é a cura e o amor é a cura, e se forem ambos a doença, o amor e a vida, então é porque viver é uma vantagem ainda não compreendida. vamos rasgar telas e ventos abrindo as janelas ao cigarro da noite, talvez. vamos onde? viver a serra e as árvores e as cascatas? diz-me como te faço chegar o vento e o sopro que te é bastante para te sentires como eu: calma, feliz e ocupada. mas usa todas as palavras sem esqueceres as que conduzem aos caminhos que te são mais arejados. a poesia era bastante; o sinal era bastante; o fumo chegava: o sorriso também. diz-me o que tens e como posso eu apaziguar a ansiedade que não creio ter originado porque te sou assídua e secreta nas noites (e nos dias) em que só as palavras nos conseguem juntar como duas metades perdidas e reencontradas.
12.7.11
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