não sei que mais te dê
das rosas não tenho o odor
nem a cor púrpura verdadeira
dos lírios tenho a palidez
dos cravos a teimosia
dos versos não faço poemas
a não ser quadras simples
que de tão simples
são de rima vazia
não sei que mais te dê
que te possa dar neste mundo
onde as rosas são de lustro e fantasia
e as palavras ocupam o lugar da pele
e os sorrisos são frases e períodos
em parágrafos de ampla alegria
que te posso eu dar
a não ser borboletas em flor
azuis de tinta
se o meu olhar desmaia sob o teu sol
se a minha pele já dobra o cabo da vida
se o meu andar esmorece
e se tudo nos aninha na distância:
como será suportar os traços e os sulcos?
se é de palavras a tua fagia
e se são amplexos fortes
(como os que me dás nas fragas da tua escrita)
o que eu queria, quero e hei-de
querer enquanto me lembrares
com essa peculiar ternura e empatia...

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