Ou noutro quimicamente possível
Ela vive em suspenso,
Como corpo que se perdeu do resto
Porque o resto é a razão mais certa
De um e outro ser serem imensos
Um olhar atrás das nuvens
Caminhos que se confundem
Quando há dois o tempo pára
Num brilho de prata e chumbo
Dentro dela,
O enamoramento é essa suspensão
De tudo
Ele não sabe mas os seus olhos são duas estrelas negras
Que sabem luzir por dentro
E cedem ao vagar da eternidade
No seu jogo moreno
Quando se prendem nos seus
Ela não sabe se inventa o desvario
Ou se é o amor que a leva a senti-lo
Sabe apenas claramente
o amor que sente
E como é bom
senti-lo
Sabe que o encontro é só por dentro
E guarda-o - a fórmula é quimicamente
Infalível - no lugar dos sentidos,
Receita simples:
Uma lágrima, talvez estupidamente
Triste,
Um sorriso encandeado e o filme passa constante, numa temporização sem
Limites, junto ao sono, junto aos ouvidos
E a catarse, só ela o sabe,
depois do pathos,
Simplesmente, existe
Agora, o tempo depurou a emoção
Pede-lhe mais, invade-lhe os sentidos
Mas ela sabe guardar as imagens,
Para as voltar a ver no escuro
Ele nunca saberá como o seu olhar,
Dentro do dela, se faz tão leve e puro

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