10.9.18

Fenda


Vives onde não habitas, eu sei
Desconheces o caminho, sim,
Mas não hesitas em não o ver
Vês a imagem do que não vês
Porque o que vês não tem imagem

Fazes a escolha de não escolher
E com ela és frágil fragmento
De ti mesmo

A tua fuga viveu sempre dentro de ti
Por isso não foges para o limite
Habitas o centro do possível
E limitas o que sentes
Um círculo onde só tu te alcanças
porque a vida está só aí

Como nuvem que tapa o sol
Também tu escureces o amor

Porém, refletes a intensa luz
E amas o amor
E espalhas amor

Mas é frágil o que sentes
A dor, a dor, a direção
Para onde não vais
Frágil, fendes a montanha
Entre ti e ti
Mas ficas onde fores
Duplo e singular
Como um velho arbusto
Numa paisagem sem lugar

Mas és tu a fuga e a fusão
És tu o núcleo e a dispersão
Em ti tudo (me) atrai
E tudo em ti me esquece
Pois o tempo é cratera que se abriu
Para esse círculo que (me) escurece



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