11.9.18
Tarde
Cheguei tarde, meu amor
Já o rio leva o descanso
Já o mar se fez repouso
E as aves atribuladas
Seu canto perdem de novo
O tempo já não é nosso
Porque a casa cedeu ao esforço
Eu encerrei-me no sono
Depois de uma maçã sem rosto
Tanto te busquei no escuro
que a cor da tua voz me escapou
Sim, é
impossível alinhar o tempo
Pelo tempo que hoje somos
Escorreu água demais no escuro
E eu cheguei tarde a ti
Cheguei tarde a tudo
Menos à serenidade que me traz
A tua voz, o teu rosto e o teu nome
Não, não é tarde para te amar em silêncio
Fingindo que o tempo ainda é novo
E que, juntos, vivemos a solidão que somos
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