31.12.18

artifício


brilho e luzes num mesmo diapasão
explosão de desejos e festejos, porque a Terra
cumpriu mais uma movimento de translação

nada mais globalizador do que o pulsar da terra
único no planeta, único no universo,
um gigante relógio suiço que gira para todos
sem exceção, vivam no Iraque ou no Irão
na Patagónia ou no Japão

todos vão, todos querem entrar
de olhares relampejantes
lantejoulas no olhar
faces purpurinas, brindes e champanhe
com artifício, deslumbramento
passas e fogo, talvez o mar ao fundo
música no corpo e no coração

mas no deserto da pobreza,
muitos apenas terão a consciência bastante
para saber que tanto faz que o ano mude ou não
a Terra gira para o mesmo lado, corre na mesma direção

tudo é elíptico e redundante numa vida
a inclinação só nos leva onde pudermos
o equilíbrio e o trapézio, os locais ermos
a certeza de que sabemos o caminho

previmos o que será, queremos apenas que sim
e que talvez tudo se refaça - pobres seres que somos
na nossa pequena imensidão - artificiamos tudo,
quando a única verdade é que nada está nas nossas mãos


Ainda assim, BOM ANO NOVO

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