6.1.19

a volta das estações



o inverno veste-nos de verde
um musgo persistente sob os pés
uma nuvem de neblina no olhar
e o silêncio azul das alturas

este é o inverno maior que já tivemos
eu falo-te das coisas invisíveis da existência
escrevo em estradas e deixo passos para veres
o caminho para a luz dos dias quentes

só me resta atiçar ao de leve o lume
queimar palavras como saudade e dor
para me aquecerem os dias onde for
e esperar que o tempo mude

mas já não tenho os teus caminhos
ruíram todas as pontes para ti
não sei se te chegam estas flores
se apenas se expande ao de leve o seu odor
que mais adivinhas do que sentes
presas nos sentidos sem as veres
reminiscências jovens de outros seres

só sei que este inverno nos distende
a ponto de sermos bruma e frio
cada vez mais longe, próximos (?)
e indiferentes

só sei que tudo o que te prende
é aquilo que sempre te prendeu
não mudamos em cada estação
reajustamo-nos e apertamos
(ainda) mais para dentro
o coração



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