19.12.18
realidade difusa
no muro onde mora a demora
é onde os lagartos são felizes
com essa eternidade na pele
e o sol a luzir nos olhos ínvios
nesse muro, existem líquenes -
são luminosos e velhos lado a lado
no mesmo verde indescritível
é onde tudo é mais real, rente
à cal, aos mal caiados muros
circunscrevo-me à rudeza e ao deserto
aí mesmo moram os rostos e as vozes
e tudo corre nos sulcos da pele
por isso, sou todos os lugares onde não vivi
as luzes dos melhores lugares do mundo
conheço-as como se não existissem
fui onde nunca fui, nem mesmo parti
mas tenho dentro de mim as luzes todas
abro a janela quando quero
deve haver alguma rua paralela à noite
onde sei que há gente feliz
ainda te espero para uma noite de Van Gogh
onde há muros e estrelas e uma outra luz
não a realidade opaca das coisas edificadas
apenas o rumor da tua voz
e é (talvez) aí que o mistério se produz
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