nasce a claridade nos montes e nos olhos
o homem desperta para si mesmo
antes do mundo
depois vai, devagar, na sua pressa
que é o vagar possível que há de ter
dentro reluzem figuras amorfas
gente da noite - seres que lhe entram
na escuridão
e vai, devagar, na sua pressa
para chegar onde o espera o pão
na pele ainda o odor da noite
a pressa de sair para suar mais
um homem nasceu para dormir e acordar
carregando sempre o peso da noite
que a consciência não pôde apagar
o que pensam todos estes homens
entre o balançar do elétrico, entre turistas
altos e louros, ecléticos?
o homem não sabe, mas talvez
todos limpem o rosto na manhã
quando o quotidiano os move,
sem fuga possível,
para o destino riscado na pele
o preço de ser apenas homem
paga-se com o entardecer de tudo
já é tarde para cancelar o mundo amordaçar a rotina
sai com um olhar de gozo
mais cedo ou mais tarde todos
os homens são muito pouco
são quase nada, por dentro,
onde agoniza o olhar moço
porque por dentro as rugas
são linhas e cosem-se ao corpo
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