25.12.18

mendigos da humanidade



o mendigo que se vê senhor do dia
apanha o pão e o caldo que lhe dão
aquece por momentos o que sobra
do que antes foi um jovem coração
e, na rima insuportavelmente pobre,
segue um rumo qualquer pela cidade
os seus passos - uma cadência lenta
levam ao beco da pobreza
onde outros como ele se acrescentam

o mesmo olhar longe do mundo
talvez dentro de uma casa quentinha
com luzes e tudo, netos e filhos
o que outrora foi lugar e refúgio

o Natal, essa presença festiva,
derrama-se por todos, com votos e caprichos,
como se o mundo pudesse ser melhor,
nesse dia e nos seguintes, mas não para os mendigos

a solidão é uma forma de pobreza, tão subtil
e tão horrivelmente triste que a celebração (os) atinge
como uma onda de frio, ou como uma lâmina em riste

mendigos da humanidade, eu sou convosco una

mendigos de amor e companhia
refugiados da sorte e da família
este é convosco o meu (humílimo) dia



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