30.12.18
silêncio
Queria decantar o silêncio
em todos os seus sons vazios,
um mexer de água parada,
uma chuva seca, o voo de uma ave alta,
o fio de seda tecido no casulo
a teia que se arma em segredo
O silêncio é o lugar onde crescem as sementes, onde a terra abraça o tempo
e onde eu me reúno a outro eu
à minha frente - o meu mais puro elemento
É branco com flores de algodão dentro,
o silêncio
e entra pelo olhar que o enfrenta
com uma estranha forma de luz
Então, não sei dizê-lo com palavras, que o perturbam e mancham no seu princípio
inocente
Não consigo pintar o silêncio, só vivê-lo,
como se vive o olhar primeiro
o amor que se revela ao mesmo tempo
O amor que se tece no casulo
em seda branca e brando silêncio
o amor que se arma pela noite
e se rasga no dia seguinte
como um lençol transpirado
de silêncio - o vazio, o nada
que vivemos e pareceu tanto
Ando para entender o número
de décibeis que o coração tem
e os suaves sons que cabem
neste largo amplexo de silêncio
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