as mãos alisam os dias
a barreira é de conchas e coral
tão leve que flutua entre mares
e neles se desfaz
ninguém juntou as conchas
para gerar assim silêncio
ninguém elevou o mar tão alto
que se dissipa em bruma e cinza
mas há entre os seres essa dimensão
terra de ninguém onde não há nada
apenas a distância a percorrer
que fazem as mãos quando as detemos
à beira do rio sem nada dizer
a quem se dão as mãos paradas
a ver o rio a passar,
nenhuma vida ao lado, nenhum barco
nada que reúna os olhos num só ser
que guardam as mãos pousadas
quando na pele se traçam os caminhos
e a existência flui em linhas de água
puras e silentes para nenhum destino?
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