30.5.19
Dístico
Uma noite ficaram
a jogar às cartas com poemas
Eram dísticos corrompidos
Pela expressão da tinta
Mas abriam espaço ao jogo
De valete e dama
Que nos olhos gerava
Pequenos lumes, uma pura chama
Jogaram o vazio e a solidão
Para se deitarem os dois no verso
E a verdade era a cartada final
Hifenizados num olhar composto
As espadas cruzadas no peito
Um naipe de riso no juvenil rosto
Fizeram do poema carta
E da carta o lugar só dos dois
A noite ganhou brilho, som e cor
Suave o regaço que os juntou
Amanheceu uma antologia
De mãos dadas com o amor
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