12.6.19

Cidadã

Sou cidadã desta pátria azul
Com tanto mar e tanta luz

Sou contribuinte deste país, tributada, abusada e infeliz

O meu corpo é um cadáver aberto
Onde todos os abutres buscam rapinar

Trabalho para alimentar um aparelho
Que não conhece limites dietéticos

Alimento a CGA, dou pão à ADSE,
Lautos banquetes ao IRS, merenda à Segurança Social, toda uma doçaria conventual ao IMI, o IRC e o IUC.
Depois coimas e coimas de coimas e contraordenações e multas e mais juros e os bancos a comer, a eletricidade, a televisão por cabo e a companhia das águas, a companhia do gás, todos a mamar mais e mais, com IVA e taxas e mais taxas e ainda mais taxas. Estou farta!

No final todos me deixam seca, exangue,
Expurgada, por ser tão classe média, por
Ser tão cidadã, por ser tão útil a um país
Que não dá nada a quem trabalha e produz, e dá tudo aos ricos, aos trapaceiros, aos corruptos, aos que fogem, porque podem, ao fisco e aos deveres que me consomem, cadáver aberto e exposto às aves de rapina.

Estou farta. Declaro-me cidadã de pátria nenhuma, tenho vontade de secar definitivamente, porque assim, não me consome mais nenhum abutre social e posso enfim deixar de ser tributável, fértil em tributações e atribulações.
Irra que isto mata!

Antes cidadã na terra da batata que de tal pátria








Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixa aqui um lírio

Recentemente...

Pregão

Alimento a fome com pouca cousa. Basta-me ver o teu olhar, ouvir a tua voz e imaginar que a tua fala se projeta paralelamente ao meu ouvido,...

Mensagens populares neste blogue