Sou cidadã desta pátria azul
Com tanto mar e tanta luz
Sou contribuinte deste país, tributada, abusada e infeliz
O meu corpo é um cadáver aberto
Onde todos os abutres buscam rapinar
Trabalho para alimentar um aparelho
Que não conhece limites dietéticos
Alimento a CGA, dou pão à ADSE,
Lautos banquetes ao IRS, merenda à Segurança Social, toda uma doçaria conventual ao IMI, o IRC e o IUC.
Depois coimas e coimas de coimas e contraordenações e multas e mais juros e os bancos a comer, a eletricidade, a televisão por cabo e a companhia das águas, a companhia do gás, todos a mamar mais e mais, com IVA e taxas e mais taxas e ainda mais taxas. Estou farta!
No final todos me deixam seca, exangue,
Expurgada, por ser tão classe média, por
Ser tão cidadã, por ser tão útil a um país
Que não dá nada a quem trabalha e produz, e dá tudo aos ricos, aos trapaceiros, aos corruptos, aos que fogem, porque podem, ao fisco e aos deveres que me consomem, cadáver aberto e exposto às aves de rapina.
Estou farta. Declaro-me cidadã de pátria nenhuma, tenho vontade de secar definitivamente, porque assim, não me consome mais nenhum abutre social e posso enfim deixar de ser tributável, fértil em tributações e atribulações.
Irra que isto mata!
Antes cidadã na terra da batata que de tal pátria
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