6.6.19
Mecanização
Que dizer hoje da poesia, na antecâmara de um futuro mecanizado?
E se uma máquina alinhar palavras e construir sentidos incompreensíveis mas belos, será isso poesia?
Que dizer do homem que ficará sozinho com os seus sentidos tão inúteis como as mãos?
Leftovers, restos que a sociedade mecânica rejeitou, os homens mergulham em qualquer espécie de fuga para o coração das máquinas, os homens despem a própria pele que transpirava coisas inúteis como a poesia.
Que dizer dos poemas velhos, em papéis velhos, se os sentimentos e até os sonhos se tornarem velhos, substituídos por uma pulsação mecânica multimodal e multisignificante?
E uma vida roboticamente sã será a libertação do homem para viver e amar a poesia? Ou os homens é que ficam prensados na poesia como carcaças na sucata?
Será que a inteligência artificial inventa um novo coração alimentado a poesia?
Ou será que o homem tecnológico, que tudo pode, usará a sua genialidade para se aniquilar a si próprio?
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