7.6.19

Pesadelo de Fuseli


cada noite uma vereda assombrada
e o passeio sob as estrelas lá longe
onde sei que nasce a clara luz da madrugada,
e o sono (me) demora

em sonhos vagos e vazios, vestidos de escuridão
afagam-me como febre e cobrem-me
com um pesadelo de Fuseli

é o peso de saber que tudo é suspensão
e interregno

o levantar e o recolher são lados
da mesma estrada que só sei percorrer
e só também a percorro como escalas
mareantes entre duas vidas onde sou eu
e depois outra vez eu, repetidamente

apenas quando pouso flor e borboleta
no sono álgido que me espera
fecho a lanterna e abato a janela
oxalá desperte numa vida antiga
onde terei sido musa e bela

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