10.8.19
Noites de Sevilha
As noites de Sevilha continuam excitantes.
Cálidas e quentes, pleonasticante mornas e tensas. Há algo no ar de Sevilha que parece conter toda a alegria de viver dos homens e mulheres que são livres de rir e ser felizes. Gargalhadas, bebidas e bocadilhos. Borrifos de água. Frescura nas roupas e nos rostos. Um pouco de batón e flamenco expontâneo em algumas praças. Esplanadas repletas de gente que só depois das sete começa a sair de casa.
Curiosamente, os sem abrigo ninguém os vê de noite. Recolhem aos seus antros frescos, depois de passarem a canícula numa calle, de mão estendida e dentes quebrados, com um sorriso triste. Há muitos mendigos em Sevilha. Sobretudo imigrantes e espanhóis idosos. Há também gente a sapatear (bem) por uns tostões e a usar recursos vários para ganhar dinheiro. Vestido de toureiro, um homem magríssimo, interpela
os turistas, como se os toureasse, e propõe fotografias consigo ajoelhado e os clientes como toureiros, a menear a minúscula capa vermelha. É pungente e triste. Quase ninguém quer, porque a sua linguagem é inadequada, a proposta também. Outros oferecem cenários andaluzes para fotos com as roupas tradicionais. Os inevitáveis vendedores ambulantes com castanholas, leques e xailes.
Coisas de uma terra que se modernizou e não deixou de envelhecer.
O turismo é constante e compacto. Aqui apenas vi turistas de outros países da Europa e do mundo. Muitos japoneses. Muitos muçulmanos. E tudo respira a cultura dos reis e rainhas mouriscos que fizeram desta terra a capital do mundo islâmico, antes da reconquista cristã. El Andaluz.
Ju
Depois de muito vaguear no mistério da comida espanhola, hoje provei a gastronomia peruana. Ceviche. E uma bebida que sabia a caipirinha mas com um toque de guacamole.
A Espanha tem muitos sabores e muitos rostos, com toda a diversidade que este povo construiu na sede do ouro.
Porém, sinto-me em casa. Sempre fui um bocadinho daqui. Do Guadalquivir.
De Blanca del Rio, de Alcazar e de Figueroa. De todos os poetas de Sevilha. Dos poetas sempre vivos e sempre intensos de Sevilha
Em Sevilha sinto-me mais viva e mais próxima do sonho. E do amor. Do impossível e de ti.
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