Se ficarmos parados na escuridão,
a escuridão somos nós.
Resolvidos todos os mistérios, a peça devia ter fechado os altos cortinados. Mas continuou.
Parada na escuridão, a atriz foi absorvida pelo público e desapareceu.
Foi encontrada num camarim a representar sozinha o drama do amor.
Mas a escuridão já a expulsou do amor e da vida. Já é uma personagem não uma atriz.
E agora até o texto e as falas lhe tiraram. Absorvida pela escuridão foi expulsa do diálogo e não percebeu.
Tudo muda. Mas se ficarmos parados na escuridão, a escuridão somos nós.
(desistir de ti é desistir de mim)
Ouve-se finalmente o ranger do carrilho e o pano cai. A peça devorou a atriz.
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