O cume de qualquer grito é o expoente máximo da queda em dó menor, até ao extinguir do sol na nota mais fraca em si e
pode ser o lamento ou o silêncio, sabe-se lá.
E tu, com a nota mais íntima do coração,
liberta um grito em cada dia, até vasares a terra envenenada toda de ti. Percorre algumas escalas mas desce apenas na estação mais rente ao sol, ou com o sol à ré.
Liberta o amor que não podes ter, como o carvão que tens nos teus pulmões de mineiro. Sai íntegro, com a melodia limpa de um lago azul numa gruta.
Eu já não peço, nem alcanço mais do que esta música de todos os gritos que já deste.
23.8.19
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