Se escrevo versos ao fim da tarde
É porque convoco o voo das aves
E o azul maior do firmamento
É porque levo em concha água de beber
Na minha mão aparada pelo tempo
Para dar a provar o amor a quem o sente
Ou porque ao ouvir dos corvos o seu grito
Vejo a morte montada no presente
E os meus lábios ardem lentamente
Com a mesma sede que mitigo
Se escrevo versos ao fim da vida
É porque coleciono as emoções
Que ornamentarão com ironia
O leito nupcial que nos reúne
No mesmo azul do entardecer
No mesmo vivo voo de antes
Na mesma erupção do sol
No mesmo rio aflito por correr
Como se o agora te trouxesse
Na barca florida de Caronte
15.9.19
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