Teria de vir mais do que o vento de outono para me elevar à leveza das folhas
neste país sério que é a noite
Nem os serões crepitantes de inverno me tapariam o frio da manta ausente
Neste deambular dos sentidos pela orla da noite, ando a rodopiar à tua porta sem espaço para entrar
Poderia ter a leveza do vento e a destreza de passar na tua pele, nos olhos, nos ouvidos, mas não
Habito este volume físico de flor rasteira na hora de subir e assim não te toco com os olhos nem com o coração
Em todas as minhas vidas tenho rebuscado certezas e razões e os olhos fundos do amor, esse lago marinho, tenho-os buscado nas águas profundamente tuas
(Como se amar e permanecer fossem uma qualquer divisa da esperança)
Para sempre foi o caminho que achei ao buscar o amor e para sempre serás e apenas tu, a minha rua. Mas comi subi-la, íngreme, erma?
Ensina-me tu a ser leve e flor, no canteiro onde cresce a matéria que produz um grande, derradeiro amor
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