Nas inteiras hostes do tempo
Alguém pensou e escreveu
Com a maturidade da pena
A sua verdade e a eterna
Anónima que fosse,
A sua voz ergueu-se e disse
Uns deixaram na cal o seu registo
Outros em papel, outros ainda na pele
De cada vez que são lidos
Num epitáfio, poderia ter-se escrito:
escreveu muito e foi lido
Outros ainda deixaram papel que
anda perdido, amarelo e triste
com o desprezo dos vivos
A esses eu rezo estes versos,
para que a pena
tenha sido o seu refúgio, porque a escrita
é um lugar íntimo e puro
que nenhum olhar, nenhuma fama visita.
Por isso,
foste inteiramente tu
no teu rascunho
Dorme em paz poeta obscuro
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