O meu vestido azul dança com as espigas do último verāo, mesmo sendo outono com um matiz de primavera
e é como se eu andasse pelo bosque a apregoar amoras
e a inverter a ordem das cores e das estações.
É tal qual como reverter a sequência genética do amor,
e sentir no outono o fogo do verāo com a febre dos fenos de abril.
E, no entanto, é inverno e as copas das árvores despiram a magreza dos troncos.
Os corpos ganham a vulnerabilidade de um frio maior que o da morte, quando não se cobrem das pequenas migalhas do sonho.
Podemos amar-nos de inverno sob um plátano desfolhado, lido, desassombrado?
Nenhum vestido azul consegue cobrir a nudez das palavras de amor e estas não sāo fruto de uma só estação. Podemos amar-nos na luz coada de uma vida sulcada por demasiada solidāo?
12.10.19
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Dia dos (Des)namorados
Não sei que diga nestes dias especiais. Não há dias felizes com marcação prévia como no cabeleireiro. Que sejam felizes os apaixonados. Os q...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Quando meto a marcha à ré, nunca sei se devo olhar para trás se para a frente. A medição das distâncias, muitas vezes, não depende dos olhos...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio