tudo que sinto é cansaço
aço, asco, fracasso
tudo que sinto é o peso
do que faço
não há leveza nos meus passos
mas o peso, o aço com que faço
andar o mundo com o meu braço
lentamente anda tudo que faço
devagar o meu fortíssimo abraço
há poucas nuvens ao meu lado
pesam no pranto de choverem
abaixo da linha do ombro
mas que faço?
as leves folhas de março
são fortes folhas de outono
pesam, estalam nos meus passos
e eu burocratizo até a chuva
em húmus quando passo
sou a ruína de mim mesma
no cansaço com que faço
tudo o que faço e não acho
o lugar onde te abraço
a poesia, a fuga que teima
não é leve mas é aço
e não foge, permanece
sob as farpas do passado
e cresce
este cansaço, é o que resta
do que faço
quando tudo que me pedem
é que seja na engrenagem
apenas aço
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