um parêntesis curvo
inclinado para o teu coração
para um abraço de longe
um abraço
na pele como no papel
é preciso fechá-lo e selá-lo
ou o parêntesis inclui-se
a si mesmo na categoria
das coisas contínuas
é preciso colar com mel
cada momento de doação
para não recomeçar
o ciclo incansável das abelhas
obreiras ágeis da criação
é preciso amassar o tempo
devagar, com as duas mãos,
sem repetir gestos,
nem palavras
porque único é cada momento
de encontro
única a voz adoçada de ternura
única a dor da distância
entre o muro e a muralha
o mar e a maré
fecha parêntesis.
faltam as reticências
por onde escapou algo como a crença,
a fé, a renovação
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Ponto celeste
Eu sei que permaneces em lugares onde o hemisfério oposto expõe a sua belíssima flora constelar Nunca vi os céus desse hemisfério, onde tu v...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Quando meto a marcha à ré, nunca sei se devo olhar para trás se para a frente. A medição das distâncias, muitas vezes, não depende dos olhos...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio