30.11.19

O pó das estrelas

Esta é a noite tamanha
a noite mais leve e mais brilhante
chegámos ao nicho onde habitamos
com o pó das estrelas nas entranhas

nesta urbana incisão na casa
tu vives no lado azul do coração
e eu na ala triste da razāo
mas a casa é o nosso mundo
onde o tempo é cego e mudo

Não há chave que separe
a pele conjunta, a pele demorada
mas a casa é a nossa sombra
e quando nos buscamos,
alonga-se na fala essa escuridão
que nos risca o silêncio dentro

A morte vive-nos na cave
e escava distâncias, tenho janelas
abertas para a fuga, não temas

Habitamos um coração sem adjetivos
apenas temos a permanência de ter sido
sempre o lugar dos sentidos

Nas nossas mãos, amor,
todas as noites rasgamos o destino
este é o amor
mais forte e mais imenso
de todas as casas que tivemos

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