Eu não sei como a casa se deixou abater ao vento sem que os nossos dedos se tocassem, firmes e contrafeitos, mas enamoradamente livres. Podiam levitar, os nossos dedos, como os olhos ou o vão das escadas onde passássemos. Às vezes eram só os olhos.
As vozes decifravam os tons mais fundos do amor, com inflexões de leves borboletas e às vezes flores. Aguardava a tua voz feita de azul e levitava, quando tudo nos elevava dentro à fuga para sermos dois.
Mas, meu amor, já é tarde, os lustres já não refletem o meu rosto, os teus olhos perdidos no sol posto escureceram e aquilo que fomos não pode levitar sequer o pó e os sonhos. Liberta o amor que ficou na casa, fantasma único de dois seres que se perderam um no outro.
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