Pensava que continuasse a importar, isto e aquilo, a fama e o amor
ou a vida e a morte, mas não. Nada. É chegada a quebra abrupta e verdadeiramente brusca de qualquer espécie de sentir. Nada nos salva. Sobra a indiferença endurecida, já liofilizada. Secaram-nos a seiva.
A pedra no coração aperta e parte inteira a emoção. Tudo se resume afinal a uma eclosão interior da aurélua vizinha do pericárdio com pikles e hidratos de azoto não reciclados e ...! Tudo cansa. Tudo agasta. E há um ser dentro de nós que já não se importa, enquanto nós ainda fingimos que sim, que o trabalho e os impostos e as contas não nos matam.
Mas não faz mal. Podem levar tudo. Não precisa de sobrar o que nunca houve. Entrego-me inteira às instâncias da morte, vegetal na paz das flores, mas não me peçam nada. Já sonhei tudo, já quis e nunca tive, por isso, adeus, a neve conforta e comove aquele que nunca houve. Não me apetece ser nem fazer nada.
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