Nunca fui poeta. Transmiti sons e imagens dissonantes sobre tudo o que vivi.
Para ser poeta teria de ter vivido esses sons inquietantes, teria de ter sido eu mesma a expressão dessas imagens até fazer delas a banda
sonora dos meus dias.
Não teria apenas amado este ou aquele homem. Teria eternizado o amor que sente quem quer amar com a certeza de que a intangibilidade pode ser a distância mais próxima entre dois olhares.
Mas não fui poeta. Rasei o rio como aquela ave que o busca como fonte
de alimento. Nunca pela dança das suas asas espelhadas nas águas. Fui um pássaro distraído
que quis receber amor por meia dúzia de sementes achadas nas palavras. Mas isso não era poesia e o tempo não trouxe nada.
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