Eu às vezes tenho medo
de me perder dentro de algum poema
que esteja cheio de veredas
e labaredas
Quando o bosque respira o sol ardente
e o corpo se perde na sonolência,
na cadência das palavras do poema,
entro e estico as pernas
É então que tenho medo
quando ele me leva para dentro
e me aponta o dedo poético
na voz de uma sílaba tónica
e eu me transformo no objeto
(que pouco ético!) de quem fez o poema
fecho os olhos e uma voz varre vagamente a ventania
E eu finjo que caibo no universo
nessa teia densa do verso
Mas sei que não sou eu a rima, nem a presença,
também não sou a ausência
Ainda assim, gosto de ajeitar as almofadas
antes de sair, discreta, do poema
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