29.1.20

Apagamento

Dediquei-me à rara polinização de emoções

Aquela voragem dos seres alados entre flor e flor

Colhi o amargo néctar de renúncias e desilusões

Podia pousar no coração de alguém
com a delicadeza do amor

Mas não quis o amor que amor tivesse

Hoje lavo os dias com um esfregão sem memória

O apagamento é a aceitação.
Há poeira e pólen nos meus dedos,
Mas não há já no meu coração


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