Diz-me onde almoças e como almoças e eu saberei com que nutres o olhar na pastelaria ornada de flores de plástico e frutos de borracha ou na seríssima toalha de linho com luvas brancas e gourmet.
Comer é sempre o intervalo entre os dentes para palitar os pensamentos, quase todos tépidos, quase todos vulgares
Diz-me que medes o dia a meio com uma fita de ansiedade e que esperas por não sei quê, não sei quando que não vem com as entradas nem com as partidas.
Onde almoças, deixas o rasto ranhoso do caracol vencido que não tem tempo de chegar. Os meus olhos saciam-se de flores de plástico mas não têm nada para contar, porque não pode haver liberdade num cantinho que mede meia hora para comer.
Hoje fiz esta canção. A sopa não tinha sal.
E eu nem sequer sei escrever.
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