Quando eu morava no Dafundo tinha 23 anos e queria ser escritora
Ficava horas largas a olhar para o farol do Bugio, fosse dia ou fosse noite
Escrevia com muita dor as ondas que vinham sem me levar
O primeiro embate da solidão começou no areal do Bugio, onde munca fui. Mas via-o.
O farol acendia depois de eu contar até 8
Contava sempre, na esperança de que o faroleiro me piscasse o olho com um segundo a mais ou a menos
Mas não havia ninguém no mar. Em terra também não. Fui incomensuravelmente desditosa frente ao mar a contar os segundos do farol
Um dia, fiz as malas e desapareci. Não tenho pena. Só lamento o mar e a companhia do faroleiro que nunca deu por mim
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