Olha, está um dia de chuva, daquela que escreve fundo e queima a cinza das memórias. Já não é possível fugir à chuva, a essa poderosa anemia da poesia feita em casa ao som da chuva.
Olha, lembrei-me de ti dentro da chuva, com os olhos de águia a mirar as águas profundas, porque correm por dentro e lavram outros dias. Onde se escondem os pássaros da chuva?
Olha, chove por entre os meus dedos a canção da chuva recolhida. Outras casas renderam a chuva, desenharam poças e desarmaram vidas. A chuva é sempre igual, as casas mudam.
Costumava trazer-te para dentro. Era bom ficarmos fora da chuva mas completamente no seu interior, no abrigo improvisado do pensamento.
Chove sobre nós. Podes vir. Olha, vou suster a chuva, o nevoeiro e a melancolia.
Quando vieres, serão tuas todas as pingas deste amor qu' inda perdura.
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