A noite vai alta
Na ponta da Lua uma nuvem pensa
Suspensa na leveza de existir
A noite vai alta e eu ponta da faca
e raso o silêncio com corte de ferir
amarfanho a voz e o papel
até alguém me ouvir
Vai tão alta a noite que nenhum poema
tem versos bastantes para chegar a ti
Nestas altas noites
a minha voz despenha-se como um grito absurdo que ninguém ouve
Mas eu chamo por ti, até subo os andaimes, as escoras são finas a construção frágil
e o nosso mundo a ruir
As noites não deviam ser tão íngremes
de subir, tal como o abraço, o abraço forte e feliz, não devia demorar até aqui
Aqui é o pico da noite onde uma nuvem pensa, suspensa no desejo de existir
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