1.2.20

A noite vai alta

A noite vai alta
Na ponta da Lua uma nuvem pensa
Suspensa na leveza de existir

A noite vai alta e eu ponta da faca
e raso o silêncio com corte de ferir
amarfanho a voz e o papel
até alguém me ouvir

Vai tão alta a noite que nenhum poema
tem versos bastantes para chegar a ti

Nestas altas noites
a minha voz despenha-se como um grito absurdo que ninguém ouve

Mas eu chamo por ti, até subo os andaimes, as escoras são finas a construção frágil
e o nosso mundo a ruir

As noites não deviam ser tão íngremes
de subir, tal como o abraço, o abraço forte e feliz, não devia demorar até aqui

Aqui é o pico da noite onde uma nuvem pensa, suspensa no desejo de existir




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