1.2.20

Perdição

Perdi o passado nesta bruma escuridão
Como os óculos de ver televisão
O porta moedas e o passe
As chaves do carro e a caixinha de sedução

Perdi um gato, alguns cães e muitos
cabelos, de muitas cores e feições

Perdi os pais, os irmãos que nunca cheguei a ter e muitos amigos que talvez não o fossem

Eu perco tudo. O café que estou a beber,
os livros que escrevi, a reunião esquecida

E quando perco pensamentos e até palavras, fico perto de algo branco e vazio que deve ser o começo de tudo
antes do mundo começar a riscar-nos coisas por dentro

É uma perdição como a limpeza dos cokies. Esvazio-me para me caber

Mas ainda não me perdi de mim, na bruma prometida.  Ajeito sempre as mãos, à deriva.

Se estás aí é porque ainda existo.


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