Fiquei com o discurso amoroso no papel, colado demais ao canto da gaveta
Melhor que escrevê-lo é dizê-lo ao ouvido em viva voz, com o embargo da emoção, a tremura dos nervos tensos, como só tu, a doçura dos teus lábios, porque os amo, a viagem dos teus olhos porque os frequento e a doce pressão dos teus braços, tão funda, como se atravessássemos toda a eternidade
Melhor que escrever o discurso do amor, há o apego dos corpos que em silêncio se conhecem. Sim, a gaveta guarda os papéis. O sangue guarda os sentidos.
A pele prende o arrepio da letra fundamente impressa no desejo.
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